Subsídio para EBD - O Ministério de Profeta

 


Quando se lê o Antigo Testamento, vemos que os profetas não foram meros microfones que amplificavam e decodificavam o falar de Deus, mas gente com uma cultura, temperamento e individualidade.

A tarefa do profeta não se resumia em transmitir o ponto de vista divino. Ele era o referencial do povo. O profeta em Israel não vaticinava apenas. Ele era também poeta, pregador, patriota, crítico social. Iniciavam suas profecias com juízo mas sempre concluíam com esperança e redenção.

O profeta não repetia jargões, não perpetuava o que já fora dito, mas pensava fora dos paradigmas. Não era convencional. A mágica de suas palavras vinha de sua intuição, de seu inconformismo e da largura de seus anseios. Inúmeras vezes a linguagem do profeta foi hiperbólica. O exagero era uma maneira de mostrar sua angústia, seu desespero de não se acovardar diante do iminente fracasso nacional.

Meu apetite em ler os profetas fez nascer em mim o desejo de vê-los entre nós. Entendo que o ministério profético com autoridade canônica foi até João Batista (Mt 11.13). Sei também que o dom carismático da profecia (I Co 12) resume-se à função tríplice que Paulo nos deu em I Coríntios 14:3: edificar, exortar e consolar.

Creio que o ministério profético que desejo não seja um título ou cargo. Sinto que a igreja evangélica brasileira, tem bons evangelistas, excelentes estrategistas eclesiásticos, já demonstramos alguma maturidade teológica, mas ainda somos carentes de líderes com a verve profética.

O Brasil necessita de pessoas, que sejam autênticos profetas do século XXI. Que impressionem pela coerência, bravura e profundo compromisso com os valores do reino de Deus e não pela performace. Que sejam "vozes" que clamam do deserto, e não "ecos" dos outros.

Hoje, o termo profeta anda meio banalizado. O que se vê muito é, aquelas ou aqueles videntes de plantão, que ficam profetizando casamentos ou des-casamentos, usos e costumes, dinheiro, etc. São comuns em reuniões de oração, em residências, em festas nas igrejas, quando dão umas profetadas (bajulação,) para os pastores no púlpito.

Tem uns, que têm até a cara de pau, de oferer consultas e cobrar por elas. Sugiro a leitura com calma, dos capítulos 26, 27 e 28 do livro de Jeremias e capítulos 5, 6 e 7 de Amós, para ver como era o verdadeiro ministério profético. Sei que ainda há "profeta em Israel".

A necessidade atual é de profetas que falem a Palavra de Deus, sem temer o homem, e não de "picaretas" que não têm nenhum temor de Deus, ao dizer que estão falando em nome Dele.

O profeta nos moldes do Antigo Testamento, acabou com João Batista. Pois no A.T., tanto o profeta como o sacerdote eram mediadores entre Deus e os homens. O sacerdote apresentava o sacrifício dos homens a Deus, e o profeta trazia a Palavra de Deus ao povo. No Novo Testamento essa figura "mediadora" não existe mais pois "só um mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem", I Tim 2:5. Porém, o ministério profético continua existindo no Novo Testamento, porém sem ser ter aquele papel de mediador. Está escrito que "Ele (Jesus) deu dons aos homens, e uns como apóstolos, profetas, evangelistas, mestres e pastores", Efésios 4:11. A profecia existe como dom do Espírito e com a finalidade de exortar, edificar e consolar. Creio que um pastor ou outra pessoa possa ser usado sim, como um profeta.

O objetivo da profecia no N.T., segundo o apóstolo Paulo é levar a exortação, edificação e consolação, no entanto, isto não significa que não possa haver previsão do futuro. Em Atos 11:27-30; e 21:10-13, mostra o profeta Ágabo, fazendo previsões. O capítulo 21 de Atos, mostra uma situação interessante: as quatro filhas do evangelista Felipe profetizavam, mas não eram chamadas de profetas como Ágabo era. Ou seja, elas eram usadas no dom da profecia (I Coríntios 12:10), mas Ágabo tinha o ministério profético (Efésios 4:11). Quando se pergunta sobre qual pessoa a profecia é falada, no caso do citado profeta do N.T. foi na terceira: "..e disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim ligarão os judeus em Jerusalém o homem de quem é esta cinta, e o entregarão nas mãos dos gentios". Atos 21:11.

Devemos separar as coisas:
1°) Acredito na contemporaneidade dos dons, inclusive os proféticos e apostólicos, porém como "dom".

Apóstolo como os 12 e Paulo, não existem mais. Segundo Atos cap. 1, para ser apóstolo tinha que ter acompanhado o ministério terreno de Jesus.

A excessão foi o apóstolo Paulo, que viu Jesus na estrada de Damasco e foi depois reconhecido como tal pelos apóstolos em Jerusalém. Hoje, não há ninguém que possa preencher essas características.

2°) O profeta no A.T., falava com autenticidade canônica, pois a Bíblia ainda não havia sido completada. Agora, os profetas podem tem ser profecias julgadas, conforme dizem os apóstolos Paulo e João. Suas profecias tem que ser submetidas à luz da Palavra de Deus, porque com a picaretagem e profetadas que existem por aí, são poucos os genuínos.

Também acredito que exista o dom de profetas e apóstolos. O que não existe hoje é a "ordenação ministerial" de um profeta e apóstolo, até porque não há alguém para fazer isso hoje. As ordenações dos que se dizem apóstolos não tem validade nenhuma. Os apóstolos foram chamados pelo próprio Jesus, e Paulo veio depois como um "nascido fora do tempo", conforme ele diz em I Cor. 15. No entanto, ele foi reconhecido como tal pelos que eram apóstolos antes dele. Agora hoje não tem um apóstolo com as características nem de Atos 1, nem de Paulo para ordenar outro. Há pessoas que são verdadeiros profetas e apóstolos, só não possuem o título e a ordenação ministerial. Mas estão por aí, sejam como crentes anônimos, missionários, diáconos, pastores, etc.

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