
Com
financiamento do vice-presidente americano, Capitol Ministries, que tem o
objetivo de “converter” políticos a uma visão evangélica da política, já abriu
ministérios em seis países latino-americanos desde 2017. Por Andrea Dip e
Natália Viana, da Agência Pública.
“Esse estudo
não é sobre se Deus aceita ou não uma guerra. Ele aceita”, anuncia o pastor
americano Ralph Drollinger, em um dos seus estudos bíblicos semanais, com uma
voz emotiva porém pausada, calculada para que os visitantes de seu site acompanhem
o raciocínio. Em seguida, explica que a frase bíblica “Bem-aventurados são os
que promovem a paz porque serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5:9) diz
respeito apenas a “como os fiéis devem conduzir suas vidas pessoais”. Ou seja:
não vale para os governos, que podem, sim, ir à guerra.
Publicado em
maio de 2018, aquele “estudo bíblico” tinha razão de ser, segundo o próprio
pastor: ajudar os membros do Governo americano a refletir sobre “a ameaça de
guerra com a Síria, o Irã e a Coreia do Norte” —movimentos iniciados pelo
presidente americano Donald Trump. E convencê-los de que ir à guerra é abençoado
pela própria Bíblia. Dias depois, Drollinger seria ainda mais explícito na sua
pregação, ao pedir que “você, como servidor público, ajude a reduzir a
tendência antibíblica secular em direção ao pacifismo e não intervencionismo!
Isso vai levar a um crescente caos global!”.
Não foi a
primeira vez nem seria a última que o fundador do ministério evangélico Capitol
Ministries encontraria na Bíblia uma justificativa para as ações mais radicais
do governo Trump. Afinal, o objetivo da igreja fundada por Drollinger é
basicamente “converter” políticos e servidores públicos a uma visão cristã
evangélica da política que se casa perfeitamente com a visão da ultradireita
americana. “Sem essa orientação, é bem mais difícil chegar a políticas públicas
que satisfaçam a Deus e sejam benéficas ao progresso da nação”, resume
Drollinger em um dos
estudos em seu site.
Enquanto o
presidente americano nega os acordos sobre o aquecimento global —e questiona abertamente se ele de fato existe—, Drollinger
rechacem outro
estudo bíblico que o homem possa impactar o meio ambiente.
“Todos devem ficar seguros sobre a habilidade e vontade d’Ele de sustentar o
ecossistema do nosso mundo”, diz, concluindo, com voz exaltada: “Que verdades
gloriosas Deus nos deu! São um tapa na cara dos teóricos de moda que tentam nos
assustar com o aquecimento global”.
E se alguém
questiona se a maior promessa de Trump —construir um
muro na fronteira com o México para evitar a entrada de
imigrantes e refugiados— pode conviver com o princípio cristão da compaixão,
ele tem a resposta pronta: “Compreende-se do Gênesis 11 que as nações, pelos
desígnios de Deus, devem ter diferentes línguas, culturas, e fronteiras”,
raciocina. “As leis imigratórias de cada nação devem ser baseadas na Bíblia e
estritamente aplicadas— com a absoluta confiança e a garantia de que Deus
aprova tais ações.” Quem garante é o pastor.
A Capitol
Ministries —nome que significa “Ministério do Capitólio”, símbolo do Congresso
americano— foi fundada pelo ex-jogador de basquete Ralph Drollinger na
Califórnia, em 1996, para “criar discípulos de Jesus Cristo na arena política
pelo mundo todo”. A ideia do pastor era levar para a política seu trabalho
anterior, focado em evangelizar atletas.
Até o ano
2010, seu público eram deputados estaduais; naquele ano, o primeiro ciclo de
estudos foi fundado em Washington, no Congresso americano. Mas foi em 2017 que
Drollinger deu seu salto para o primeiro plano da política mundial, quando
fundou o primeiro grupo de estudos dedicado apenas a membros do Governo de
Donald Trump. O encontro semanal, em um local não revelado, reúne dez
membros do alto escalão do Governo, incluindo o vice-presidente, Mike Pence,
e o secretário de Estado, Mike Pompeo,
que dirige a política externa. O ex-diretor da Agência de Proteção Ambiental
Scott Pruitt, que articulou a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris,
sobre aquecimento global, e já questionou o efeito de emissões de carbono sobre
o clima, também chegou a participar.
Muito além
de um simples falatório, as pregações de Drollinger têm efeito prático em um
Governo que mais de uma vez reconheceu ter sido eleito graças ao voto
evangélico. Em junho do ano passado, um de seus sermões foi usado pelo
ex-procurador-geral Jeff Sessions para apaziguar os corações dos eleitores
quanto à detenção de milhares de crianças imigrantes em péssimas condições na fronteira com o México. “Eu
citaria a vocês o apóstolo Paulo e seu comando claro e sábio em Romanos 13,
para obedecer às leis do Governo porque Deus ordenou o Governo para seus
desígnios”, disse Sessions, invocando a
Bíblia, e não a legislação americana, como justificativa. Enquanto a
imprensa americana reagia chocada, Drollinger fez questão de expor suas
digitais por trás da declaração.
“Eu tive a
distinta honra de ensinar a ele sobre esse assunto e muitos outros”, disse.
“Não há nada mais animador, quando você é um professor da Bíblia, do que ver um
dos caras com quem você está trabalhando articulando algumas coisa que você
ensinou.” A frase, de fato, é uma repetição do manual básico de Drollinger, e
Sessions, quando estava no Governo, realmente frequentava seus estudos
bíblicos.
Separar pais
dos seus filhos seria aprovado pela palavra de Deus, diz o pastor. “Quando
alguém viola a lei de um país, deve antecipar que uma das consequências do seu
comportamento ilegal será a separação dos seus filhos. É esse o caso de ladrões
ou assassinos que são presos”, justifica.
Em busca de Bolsonaro, Capitol chega ao Brasil
Financiada
pelo vice-presidente Mike Pence e pelo secretário de Estado Mike Pompeo,
segundo afirmou o
próprio Drollinger em seu site, a Capitol Ministries também se vale da
influência do Governo americano para cumprir sua missão, entre aspas, divina:
dominar o mundo. Desde o ano passado, abriu capítulos em cinco países
latino-americanos —México, Honduras, Paraguai, Costa Rica e Uruguai—, anunciou
que abrirá em outros dois —Nicarágua e Panamá— e acaba de aportar no Brasil,
com lançamento oficial programado para a segunda quinzena de agosto no Senado
Federal, “sem muita badalação, voltado apenas para autoridades” e “com a
presença de Drollinger e sua esposa”, como explicou à Pública o
pastor da Igreja Batista Vida Nova, Raul José Ferreira Jr., que será o
responsável por conduzir os estudos bíblicos no Senado, na Câmara.
Ele diz
ainda que, “se Deus permitir”, vai conduzir também estudos bíblicos na Casa
Civil junto ao presidente Jair
Bolsonaro e seus ministros, traduzindo as palavras do pastor
americano para o presidente brasileiro. “Nós estamos realmente trabalhando
firme para que possa haver ao menos um encontro do pastor Drollinger com o
presidente Bolsonaro agora em agosto, para que a partir daí a gente possa
desenvolver um trabalho. Mas, mesmo que o presidente não esteja entre eles, nós
vamos tentar construir um trabalho dentro da Casa Civil, junto dos ministros
diretamente ligados ao palácio”, diz.
O objetivo
dos estudos bíblicos, que são traduzidos para o espanhol e em breve para o
português, é disseminar a visão de Drollinger sobre o cristianismo aplicado à
política. “Nossa ideia é chegar a nível de Presidência da República e
ministros, primeiro escalão. A gente tem um slogan que é ‘first the firsts’, ou
seja, primeiro os primeiros. Através dessas pessoas com relevância a gente pode
mudar o destino da nossa nação”, diz o pastor Ferreira Jr., que, indicado pelo
diretor regional no Brasil, pastor Giovaldo de Freitas, passou por uma semana
de treinamento em Seattle com Ralph Drollinger e sua equipe.
As
aspirações da Capitol Ministries no Brasil são ambiciosas, embora o pastor
Ferreira Jr. chame de “trabalho de formiguinha”: conduzir, a portas fechadas
nos gabinetes, reuniões bíblicas individuais com parlamentares, especialmente
os não convertidos, além de reuniões coletivas semanais —e ainda garantir que
cada parlamentar do Congresso Nacional receba os estudos impressos, por e-mail
e por mensagem no celular. “Nosso objetivo é reconstruir a nação a partir de
valores cristãos que são forjados através do estudo da palavra”, define o
pastor.
Para tanto,
ele diz que o ministério de Drollinger já conta com o apoio de alguns parlamentares
que são membros atuantes da Frente
Parlamentar Evangélica, como o senador e pastor Zequinha Marinho
(PSC-PA), o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) e o deputado e também pastor
Roberto de Lucena (Podemos-SP).
Giovaldo Freitas, o homem da Capitol Ministries no Brasil
As
negociações para a chegada da Capitol Ministries ao Brasil começaram ainda no
Governo Temer, em 2017, como explicou à Pública o diretor do
ministério no Brasil e pastor da Igreja Batista de Moema, Giovaldo Freitas, em
seu escritório em São Paulo. Naquele ano, Giovaldo era parte do Global Leadership
Summit, uma organização evangélica americana que realiza grandes eventos de
capacitação para lideranças empresariais no mundo todo. Em um dos eventos do
grupo em Chicago, o pastor foi convidado pelo hoje coordenador da Capitol
Ministries na América Latina, o peruano Oscar Zamora, a participar de um almoço
que acertaria os detalhes da vinda do ministério para o Brasil.
Giovaldo
passou então pelo treinamento de Drollinger em Washington com pessoas do mundo
todo: “Tinha várias pessoas da América Latina, alguns do Caribe, da Europa,
gente da Ásia... Gente da Argentina, Paraguai, Uruguai, Equador, Colômbia,
Bermudas, Bahamas, Guatemala, Honduras, Costa Rica, México, Holanda, Romênia,
Rússia...”, lembra. E acrescenta: “Foi muito interessante porque de repente eu
me vejo ali conversando com um senador americano superempolgado porque estava
vindo para o Brasil. Nessa reunião tinha oito senadores e dois deputados
[americanos]”. O pastor não quis revelar os nomes dos políticos americanos
presentes, mas disse que também houve, na ocasião, um painel com a presença de
três secretários de Trump: a secretária de Educação, Betsy DeVos, o secretário
de Energia, Rick Perry. e o da Agricultura, Sonny Perdue.
Segundo ele,
os laços religiosos têm dado frutos políticos: “Inclusive, esse secretário de
Energia tem mantido conversa com nosso ministro de Minas e Energia exatamente
por causa da chegada da Capitol Ministries”, revela.
Desde então,
o pastor descreve que várias negociações aconteceram no Congresso brasileiro,
além de reuniões com embaixadores do Itamaraty e com o chefe de gabinete de
Temer, em maio de 2018, “para decidir algumas coisas” sobre o lançamento no
Brasil, segundo Giovaldo. Questionado pela reportagem, ele não quis entrar em
detalhes. A Pública encontrou registros de uma reunião com o
então ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Ronaldo
Fonseca, em julho do ano passado, na qual estavam Giovaldo e outro ex-membro da
Capitol Ministries, o pastor Evandro Beserra.
Embora diga
que a intenção do ministério não é “levantar bandeiras”, o pastor admite que
existe uma aproximação natural com os partidos mais à direita. O novo Governo
é, para ele, o cenário ideal para a chegada: “Na primeira semana de abril, nos
reunimos com o Onyx
Lorenzoni [ministro-chefe da Casa Civil], que foi muito
receptivo, evangélico do Rio Grande do Sul, foi um tempo muito gostoso. O
presidente Bolsonaro estava em Israel, então não pudemos ter contato, mas fomos
muito bem recebidos”, comentou.
Segundo a
professora de direito e diretora do Centro Jurídico sobre Gênero e Sexualidade
na Universidade de Columbia, Katherine Franke, a exportação de missões
fundamentalistas dos EUA para a América Latina, com a bênção do Governo
federal, viola os princípios de separação de Estado e Igreja determinada pela
Constituição dos Estados Unidos. “O Governo está promovendo a religião como um
projeto oficial do Governo e isso claramente viola uma das cláusulas. Mais
ainda, o Governo está promovendo uma visão particular da religião, sem fazê-lo
imparcialmente. E esse é um segundo tipo de violação ”, disse a especialista à
coalizão de veículos que faz parte do projeto “Transnacionais da Fé”, que
publica esta reportagem.
Batistas
à frente
Para
Christina Vital da Cunha, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e
pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião, alguns elementos se destacam
nessa chegada do ministério de Drollinger ao Brasil: um deles seria o novo
protagonismo político da Igreja Batista, antes vista como mais progressista e
também mais afastada da política —ministra Damares Alves é
pastora batista, a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também, além de outros integrantes do
Governo. É o caso da Igreja Batista Vida Nova, de Raul José Ferreira Jr., que
liderará os estudos dentro do governo.
“A gente
pode observar um elemento diferente do que vinha acontecendo no Brasil desde
então, que é uma afinação orgânica entre Estados Unidos e outros países da
América Latina a partir desse elemento religioso e que tem na política
institucional um lugar importante de atuação. Se vê um alinhamento conservador
no Brasil, na América Latina e em outros países no mundo, que nos países da
América Latina tem nesses religiosos evangélicos e católicos seus principais
atores”, aponta. E chama atenção para a legitimação de um discurso à direita
por meio da Bíblia, algo que já tem sido feito em certa medida no Brasil desde
a campanha de Bolsonaro. “Outra coisa a se observar é se haverá disputas de
poder com instituições já estabelecidas, como a Igreja Universal e a Assembleia
de Deus.”
À Pública,
o pastor Giovaldo adianta que existe distinção entre o trabalho da Capitol
Ministries e o da Frente Parlamentar Evangélica: “São coisas diferentes. Nosso
objetivo lá dentro não são os evangélicos. Os estudos bíblicos são pra quem não
tem uma relação com a igreja, com Deus. É de evangelização, caminhar junto,
orar. Aí, se porventura alguns reconhecerem Cristo como seu Senhor e salvador,
eles poderão vir a fazer parte da FPE [Frente Parlamentar Evangélica]”, diz, apesar
de reconhecer que a parceria com parlamentares evangélicos —como os citados
pelo pastor Ferreira Jr.— é fundamental e que os primeiros estudos bíblicos
serão conduzidos no gabinete do senador Zequinha Marinho e no do deputado Silas
Câmara (PRB-AM), pastor da Assembleia de Deus e presidente da Frente
Parlamentar Evangélica.
Na América Latina
Drollinger
nega que sua organização faça lobby, reconhecendo apenas que seu objetivo é
converter políticos para Cristo. Mas a Capitol Ministries chegou a Honduras,
país centro-americano, pelas mãos do próprio vice-presidente dos Estados
Unidos, Mike Pence. Em junho de 2018, quando o presidente hondurenho, Juan
Orlando Hernández, fazia uma visita oficial a Washington, Mike Pence e o
secretário de Estado, Mike Pompeo,sugeriram a
ele que iniciasse um capítulo da Capitol Ministries na presidência e em seu
Congresso.
“Também é
bom saber que o vice-presidente Pence e o secretário de Estado Pompeo
influenciaram de maneira tão efetiva o presidente Hernández para lançar o
Capitol Ministries entre os membros do gabinete”, escreveu Ralph Drollinger
no comunicado de
inauguração dos estudos bíblicos em Honduras, em 8 de novembro de 2018.
Em 2017,
Drollinger recrutou Oscar Zamora, um pastor peruano que estudou teologia no
West Coast Christian College, na Califórnia. Desde então, Zamora viaja pelo continente
negociando a abertura de ministérios nos parlamentos da região, mantendo um
perfil discreto e evitando dar entrevistas. Os pastores, como aconteceu com
Giovaldo, são recrutados no Global Leadership Summit, programa que ele lidera
na América do Sul. Três dos pastores de Drollinger afirmaram à reportagem que
as reuniões são financiadas com recursos americanos.
Na Costa
Rica, a Capitol Ministries ficará a cargo do presidente da igreja Assembleia de
Deus, Ricardo Castillo Medina. O religioso vai dirigir os estudos da Bíblia
entre os membros do Congresso, “para que possam tomar decisões baseadas em uma
consciência pura e limpa”, diz. Em março deste ano, Ralph Drollinger e sua
esposa, Danielle, foram
até o país se reunir com um grupo de congressistas em um café
da manhã convocado sob o lema “Reconstruindo uma Nação” —nome do livro de sua
autoria— no hotel Radisson, em um elegante bairro da capital.
“Quero dizer
a vocês que o vice-presidente Mike Pence e o secretário de Estado Mike Pompeo
me pediram que eu os saúde. Esses dois homens amam a Jesus Cristo com todo o
seu coração e eles estão impactando, literalmente, o mundo inteiro. Eles estão
tomando esses princípios e com sua personalidade os projetam”, disse
Drollinger. E previu: “Se você conquista líderes políticos para Cristo, vai ter
conquistas residuais para seu país; vai ter efeitos enormes, muito positivos
sobre a direção que tomará a Costa Rica”.
Mas não é só
de governos orgulhosamente de direita que a Capitol Ministries tem se
aproximado. No último dia 19, durante as comemorações dos 40 anos da Revolução
Sandinista na Nicarágua, lideradas com pompa por Daniel Ortega e
sua esposa, Rosario Murillo, em meio a uma crise política que matou mais de 300
pessoas, levou mais de 500 manifestantes à cadeia e a milhares de exilados,
Ralph Drollinger estava lá. Segundo uma nota à
imprensa, foi o próprio Ortega quem convidou a Capitol Ministries a
abrir o ministério no país. No convite, Ortega declarou: “Sabemos que, se as
pessoas a quem Deus confiou o destino da nação nascerem de novo, nossos
deputados legislarão de acordo com a Bíblia”. E foi assim que, diante de milhares de pessoas,
Drollinger ressaltou os valores cristãos do país e agradeceu a oportunidade
oferecida pelo Governo de Ortega. “Eu oro pela sua nação, oro por você, oro
pelos líderes do Governo para que todos possamos refletir os atributos de
Cristo todos os dias”, disse Drollinger, segundo o jornal oficial La Voz del
Sandinismo.
A guerra
contra a Igreja Católica liderada pelo Governo de Ortega certamente entra nessa
conta. Em entrevista à Pública em julho de 2018, o escritor e
ex-vice-presidente do país Sergio Ramírez disse que um dos pontos mais
sensíveis à possível reeleição em 2021 era justamente este: “Ortega também tem
a Igreja Católica contra ele. O governo começou a atacar igrejas católicas,
como no caso do tiroteio de 15 horas na Igreja da Divina Misericórdia, em
Manágua [em 13 de julho, estudantes refugiados na igreja sofreram 15 horas de
tiros da polícia]. Estão atacando padres, quebrando templos católicos.
Parece-me que se meter contra a Igreja Católica em um país eminentemente
católico como o nosso é uma guerra perdida”.
Os estudos
bíblicos no gabinete presidencial e no Congresso nicaraguense ficarão a cargo
de Arsenio Herrera, pastor da maior igreja evangélica de Manágua, Hosanna
Church. Herrera foi discípulo do criador da Hosanna, o americano David Spencer,
a quem se atribui o feito de ter convertido mais de 500 almas por semana nos
primeiros anos da igreja e que, pouco antes de sua morte, recebeu de Ortega e
Rosario Murillo a cidadania nicaraguense em honra aos serviços prestados ao
povo da Nicarágua.
Texto de Andrea Dip e Natália Viana (Agência Pública)
Essa
reportagem faz parte do projeto “Transnacionais da Fé”, uma colaboração de 16
meios latinoamericanos, sob a liderança da Columbia Journalism Investigations
da Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia (Estados Unidos). Os
parceiros latinoamericanos são: Agência Pública (Brasil); El País (Uruguai);
CIPER (Chile); El Surtidor (Paraguai); La República (Peru);Armando.info (Venezuela); El Tiempo
(Colombia); La Voz de Guanacaste e Semanario Universidad (Costa Rica); El Faro
(El Salvador); Nómada e Plaza Pública (Guatemala); Contracorriente (Honduras);
Mexicanos Contra la Corrupción y la Impunidad (México); Centro Latinoamericano
de Investigación Periodística (CLIP); e Univisión (Estados Unidos).
Isso tem pelos de lobo, garras de lobo, ferocidade de lobo; porém, vestindo cara de ovelha.
ResponderExcluirTraduzindo, maçonaria "gospel".