SEJA BEM VINDO. Este blog nasceu da vontade de poder compartilhar, pensamentos e reflexões sobre os acontecimentos atuais e a aplicação da Palavra de Deus a nossa vida.A escolha deste título para o meu blog, foi porque acredito que se não for para vivermos o Evangelho de Cristo conforme Ele viveu e ensinou, nada vale a pena. INDIQUE ESTE BLOG A MAIS ALGUÉM E DEIXE UM COMENTÁRIO JUNTO A MATÉRIA QUE PORVENTURA TENHA GOSTADO.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
segunda-feira, 24 de novembro de 2025
quinta-feira, 13 de novembro de 2025
quinta-feira, 6 de novembro de 2025
quarta-feira, 29 de outubro de 2025
A Bíblia - sua formação e as traduções | Pr. Juber Donizete
sexta-feira, 24 de outubro de 2025
Crentes - Além dos Muros | Episódio 1 - Documentário da Globonews
quinta-feira, 23 de outubro de 2025
segunda-feira, 20 de outubro de 2025
quinta-feira, 2 de outubro de 2025
O Homem — Corpo, Alma e Espírito | Lição 1 | Pr. Juber Donizete - Lições...
terça-feira, 30 de setembro de 2025
Subsídio para a lição 1 adulto da EBD - O homem, corpo, alma e espírito - Pr. Juber Donizete
O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, para amá-lo, obedecê-lo e seguí-lo. Vestígios desta verdade se encontram até mesmo na literatura gentílica. Paulo assinala, ante os atenienses curiosos, no Areópago, que alguns dos mais famosos poetas gregos, entre os quais Cleantes e Arato, disseram: “Porque dele (Deus) também somos sua geração” (At 17:28).
Deus e Eu.
sexta-feira, 26 de setembro de 2025
quinta-feira, 25 de setembro de 2025
segunda-feira, 22 de setembro de 2025
Lula e Janja em entrevista exclusiva ao Papo de Crente
sexta-feira, 19 de setembro de 2025
quinta-feira, 18 de setembro de 2025
quarta-feira, 10 de setembro de 2025
Caio Fábio fala sobre Donald Trump e os evangélicos - O novo Constantino
quinta-feira, 4 de setembro de 2025
quarta-feira, 3 de setembro de 2025
Se Jesus entrasse em nossas igrejas hoje, ele viraria nossas mesas?
Jesus tirou do caminho o que estava impedindo as pessoas de orar e adorar a Deus. E hoje, o que nos impede e precisa ser eliminado de nossas igrejas?
Uma das cenas mais chocantes do Novo Testamento é quando Jesus entra no templo e começa a virar as mesas.
Ali, ele havia encontrado mercadores que estavam vendendo animais e trocando dinheiro, transformando o local de culto em um mercado para enriquecer os homens. O que deveria ser solo sagrado estava agora tomado pela ganância. A reação de Jesus foi rápida e feroz.
Ele não repreende apenas os mercadores. Ele os expulsa. Ele vira suas mesas de pernas para o ar.
Receba nossas atualizações diretamente no seu celular! Faça parte do nosso canal no WhatsApp.
Sim, e este ainda é Jesus. Mas, nessa passagem, vemos um outro lado dele, um lado diferente do Príncipe da Paz, diferente daquele que acolhe crianças, cura enfermos e come com pecadores. Essa passagem pode nos fazer questionar: Será este o mesmo Jesus que vimos ao longo dos Evangelhos? Por que ele reagiu dessa maneira? O que o deixou tão indignado?
Jesus aproveitou a oportunidade para ensinar aos ouvintes: “Não está escrito: ‘A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos’? Mas vocês fizeram dela um ‘covil de ladrões’” (Marcos 11.17).
O contexto nos ajuda a entender. No primeiro século, o templo de Jerusalém era dividido em três áreas: uma para homens judeus, outra para mulheres judias e uma terceira onde os gentios (todos que não eram judeus) eram convidados a orar e a buscar a Deus. Os cambistas e os vendedores de animais provavelmente estavam instalados no pátio dos gentios — na área designada para os estrangeiros —, já que era lá que se realizavam as trocas de moeda para aqueles que chegavam com dinheiro de outras nações.
Esses estrangeiros provavelmente haviam viajado por semanas, talvez meses, para oferecer uma oração no templo. Mas, ao chegarem, encontraram o caos. Foram distraídos e desviados de seu propósito original por comerciantes exploradores, que lhes empurravam produtos, gritavam preços e trocavam dinheiro. Em vez de encontrarem um espaço sagrado para orar, foram explorados. O próprio lugar que deveria ajudá-los a se aproximar de Deus havia se transformado em uma barreira para a sua adoração, para experimentar seu poder e sua presença.
O sagrado havia sido devorado pelo superficial.
Foi isso que provocou a ira justificada de Jesus. O espaço sagrado havia sido sequestrado. Um obstáculo fora colocado no caminho daqueles que buscavam o Senhor. Como disse R. C. Sproul, os comerciantes “não tinham o direito de conduzir seus negócios naquele lugar e de desrespeitar o propósito de Deus para que os gentios orassem ali”.
É por isso que Jesus declarou: “A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos”. Ele estava lembrando aqueles homens de que Deus ama todas as nações. Ele os estava lembrando de que Deus se agrada quando eles se aproximam com corações sinceros e arrependidos. E, ao fazer isso, deixou inequivocamente claro o propósito do templo: servir como uma ponte espiritual para as pessoas se conectarem com Deus — e não ser um lugar em que o perdemos de vista.
Hoje, não dependemos mais de um templo físico. Em vez disso, a igreja — o corpo de crentes ao redor do mundo — é o templo vivo de Deus (1Coríntios 3.16-17; 2 Coríntios 6.16). E embora a estrutura tenha mudado, a igreja ainda tem o mesmo propósito. Ainda somos chamados a ser uma ponte. Ainda somos chamados a ajudar as pessoas a encontrarem o caminho para Cristo. A pergunta é: Nós realmente estamos fazendo isso?
É uma pergunta difícil, mas que precisa ser feita.
Há algo em nós — ou nos prédios de nossas igrejas — que esteja impedindo as pessoas de buscarem o Senhor?
Será que nos tornamos mais uma barreira do que uma ponte?
Se Jesus entrasse em nossas igrejas hoje, ele viraria nossas mesas?
Estamos ajudando as pessoas a se conectarem com Deus ou apenas as estamos distraindo com barulho?
Nosso foco em trivialidades criou obstáculos para as pessoas?
Pastor, seu trabalho não é mediar o acesso ao sagrado. Você não é um sacerdote do Antigo Testamento que guarda o Santo dos Santos. Você é um pastor. Sua responsabilidade é guiar aqueles que buscam o Senhor a um encontro pessoal com Deus.
Como Paulo escreve em Efésios 4.11-13:
Ele [Cristo] designou alguns para apóstolos; outros, para profetas; outros, para evangelistas; outros, para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus…
Nosso chamado é edificar o povo de Deus e apontá-lo para Cristo. Mas e se, em vez de apontá-los para Cristo, nós estivermos apontando-os para nós mesmos?
É comum entre pastores a tentação — de atrair as pessoas com o nosso carisma ou as nossas habilidades de comunicação, de nos tornamos o foco, em vez de sermos apenas alguém que os guia. E já vimos que essa atitude produz frutos ruins.
Não precisamos de mais estudos de caso sobre como essa cultura centrada no pastor pode causar estragos na igreja. As manchetes sobre isso não param de chegar: escândalos sem fim, pastores que caem em desgraça, a perda da confiança.
Os holofotes do mundo ocidental, voltados para os pastores famosos, acabam distorcendo nossa visão da vocação pastoral. Agora corremos o risco de formar jovens líderes que buscam o ministério pastoral não por causa do que a Bíblia os chama a fazer, mas para serem reconhecidos — pelas plataformas, pelos seguidores, pela promessa de uma carreira de sucesso.
Mas não era isso que Jesus tinha em mente.
Quando essa imagem distorcida do ministério pastoral entra na igreja, ela começa a remodelar todas as outras coisas que a igreja faz. Sem perceber, começamos a nos preocupar mais com marketing do que com intercessão. Passamos a confiar mais no alcance das mídias sociais do que no poder do jejum. E nos alegramos quando as igrejas estão cheias, independentemente de as pessoas estarem ou não sendo de fato discipuladas. Tudo isso começa a parecer normal e não percebemos o quanto nos afastamos [do verdadeiro propósito].
Com a melhor das intenções, muitos de nós adotamos estilos, estratégias ou formas de culto que acreditamos definir como uma igreja “moderna” deveria ser. Encurtamos os cultos por questão de conveniência. Simplificamos o processo e aperfeiçoamos a fórmula. Elaboramos cuidadosamente mensagens contundentes para penetrar o coração das pessoas.
Para abrir espaço para o próximo culto, expulsamos as pessoas do santuário às pressas, eliminando qualquer possibilidade de experimentarem comunhão e comunidade. O que deveria parecer uma família começa a parecer um evento forçado. E, em algum ponto desse processo, o pastor deixou de ter cheiro de ovelha. Ele não está mais no meio do rebanho, mas sim cercado por câmeras e luzes.
Trocamos profundidade por velocidade. Trocamos rendição por brilho, espetáculo.
Pastor, as pessoas em sua igreja não precisam de outra celebridade para seguir, mas de um ministro a quem recorrer. Elas precisam de um pastor. Você não foi chamado para impressioná-las, mas sim para discipulá-las, garantindo que seus corações sejam cada vez mais moldados à imagem de Cristo.
A. W. Tozer certa vez diagnosticou exatamente esse problema:
Se o Espírito Santo fosse retirado da igreja hoje, 95% do que fazemos continuaria sendo feito e ninguém perceberia a diferença. Se o Espírito Santo tivesse sido retirado da igreja do Novo Testamento, 95% do que eles faziam pararia por completo, e todos perceberiam a diferença.
Esse pensamento é uma denúncia.
O que precisamos não é de mais uma atualização de estilo ou de estratégia, mas de fazer uma reforma genuína e voltar à nossa verdadeira vocação: conectar as pessoas a Cristo e ver Cristo ser formado nelas. Nossos cultos dominicais são importantes. Uma boa produção tem seu valor. Mas essas coisas nunca podem substituir o poder do evangelho.
É claro que queremos que nossas igrejas cresçam. Sabemos que muitos pastores sonham em um dia liderar uma igreja grande e próspera. Mas precisamos ser honestos conosco mesmos: o que está impulsionando esse desejo?
É fácil cair no jogo da comparação. Olhamos para igrejas maiores que a nossa e nos perguntamos: Será que estou fazendo algo errado? Por que tenho tão poucos seguidores? Por que não sou mais relevante? Mas e se estivermos nos medindo com a régua errada? O crescimento em si é bom, mas quando impulsionado por insegurança ou vaidade, também pode ser uma armadilha.
Será que alguém que nunca ouviu falar de Cristo poderia entrar em uma de nossas igrejas, ouvir a banda tocando três músicas de forma impecável, participar de um culto com uma produção e uma organização perfeitas, receber uma mensagem motivacional e ir embora sem nunca conseguir orar e se conectar com Deus? Assim como os visitantes estrangeiros dos dias de Jesus, será possível que eles tenham vindo em busca de Deus, mas tenham encontrado apenas barulho e distrações?
O desejo de Deus é que sua casa seja um lugar onde as pessoas possam verdadeiramente encontrá-lo. Um lugar onde possam orar, conversar com ele, confessar, adorar, suplicar e se render a ele. Se nossos cultos forem tão rápidos, tão cuidadosamente elaborados e tão repletos de entretenimento a ponto de ninguém ter tempo para orar, conversar com Deus, confessar, adorar, suplicar e se render a ele, nós erramos completamente o alvo.
Quando Cristo voltar, ele não perguntará quantos seguidores você tem. Ele não perguntará quantas pessoas assistiram ao seu podcast. Ele não se importará com quantos metros quadrados tem o seu templo ou com quantos álbuns sua equipe de louvor lançou. Ele não ficará impressionado com o número de pessoas que compareceram em suas apresentações de Natal ou de Páscoa. Quer tenham sido 10, 100 ou 10.000 pessoas, a questão não será sobre escala — será sobre mordomia.
Ele simplesmente perguntará: O que você fez com as ovelhas que lhe confiei?
A parábola dos talentos nos lembra que Deus não se comove com nossos números. Ele se comove com a fidelidade com que administramos o que Ele colocou em nossas mãos.
Essa é a nossa função. O nosso chamado — como corpo de Cristo e como pastores — é representá-lo de forma tão clara e humilde que as pessoas vejam Jesus através de nós, sem que nada as interrompa ou distraia.
Nós não somos o protagonista. Nossos sonhos ministeriais não são o foco.
Autor: Sebastián Franz é paraguaio, pastor da Igreja de Deus Unida em Oklahoma City e, junto com sua esposa, lidera o ministério e podcast Volviendo a la Esencia (Retornando à Essência), voltado para jovens adultos.
Fonte: https://pt.christianitytoday.com/2025/08/jesus-viraria-mesas-igreja-pastor-lideranca-responsabilidade-pt/
segunda-feira, 1 de setembro de 2025
quinta-feira, 28 de agosto de 2025
O movimento dos evangélicos desigrejados
Ao mesmo tempo em que o Brasil registra o aumento de evangélicos, há um movimento de abandono da comunidade de fé: evangélicos se desligam das igrejas institucionais e optam por cultivar uma fé autônoma
O cenário atual do segmento evangélico mostra pessoas entrando e saindo das igrejas. O Censo Demográfico 2022 sobre religião, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que o número de evangélicos aumentou no Brasil, chegando a 26,9% da população, somando 47,4 milhões de pessoas. Apesar desse crescimento, existe outra realidade: o abandono da comunidade de fé, em que evangélicos se desligam das igrejas institucionais e optam por cultivar uma fé autônoma. O movimento ficou popularmente conhecido como desigrejados.
- Esse desligamento dos membros traz um novo panorama para a igreja institucional, que passa por mudanças. Antigamente, existiam os católicos romanos e ortodoxos praticantes e os não praticantes, mas os evangélicos eram praticantes. Hoje, existe o crente que não quer mais frequentar a igreja institucional.
Cada pesquisador categoriza de uma maneira os subgrupos de desigrejados. Entendo que são três. O primeiro grupo comporta os decepcionados, que são pessoas que abandonaram a comunidade pelos mais diversos motivos, mas que não querem o fim da igreja institucional. O segundo são os radicais, que defendem o fechamento dos templos. O terceiro são os consumidores, que são usuários de algumas atividades congregacionais, mas não querem compromisso de membresia e comunhão.
As pessoas estão abandonando as comunidades de fé pelos mais variados motivos. Conversando com os desigrejados que estão formando comunidade nas redes sociais para criticar o segmento, especialmente no Facebook, percebi que a evasão acontece porque discordam da institucionalização da Igreja, da variedade de denominações religiosas, da secularização das Igrejas históricas, da profissionalização do pastorado, da busca pelo diploma de teologia reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), da variedade de métodos de crescimento das Igrejas onde os líderes buscam quantidade de pessoas em detrimento da qualidade espiritual dos membros, dos ministérios que têm somente foco em reuniões que visam bater metas da liderança, da disputa entre as pessoas para atingir as metas, da estrutura organizacional (templo, culto regular aos domingos, tesouraria, ofícios, oferta, dízimo, CNPJ, clero oficial, confissão de fé, rol de membros, a igreja ter propriedade, escola ou seminário), da hierarquia na denominação que não permite viver o sacerdócio de todo o crente, da igreja empresa com pastores que buscam lucro financeiro e viraram homens de negócio, da Teologia da Prosperidade, do abuso espiritual dos líderes, dos escândalos sexuais e financeiros, e da política partidária nos templos, que polarizou os fiéis.
É preciso pensar os aspectos sociais mais amplos que têm levado as pessoas a abandonarem as igrejas. O movimento pode ser entendido por meio da desinstitucionalização. O desigrejamento é fruto da crise institucional que a Igreja Evangélica atravessa, uma falta de pertencimento que atinge todas as esferas da sociedade, inclusive a área religiosa. Também pode ser entendido pela destradicionalização. Anteriormente, era normal uma pessoa permanecer em uma Igreja porque a família era daquela tradição religiosa. Hoje, a pessoa é autônoma na escolha da fé, podendo romper com laços religiosos familiares. Ocorre uma quebra significativa entre as gerações na transmissão da herança religiosa, que antes era repassada de pai para filho, o que faz com que o legado dos valores, dos saberes e dos bens simbólicos se dilua de geração em geração. A sociedade vive uma crise na transmissão da herança cultural com reflexos em todas as áreas, como família, Estado, movimentos sociais, entidades civis e tradições religiosas.
Existe, ainda, a crise axiológica, que gera a decadência de valores e o descrédito pessoal e das instituições. Essa crise também deve ser levada em conta quando se busca desenhar os caminhos que explicam o desigrejamento. A crise axiológica aumenta quanto mais se articulam os eventos humanos, como a secularização, a modernidade, a globalização, as mudanças de condições culturais, sociais e de trabalho. Na contemporaneidade, a cultura dominante instiga a sociedade ao imediatismo, à busca permanente de novidades e de novas experiências, a ser o próprio construtor das suas verdades. A cultura também prega aversão à tutela institucional, o fim da verdade absoluta, o individualismo, a religiosidade emotiva, o pluralismo e o pragmatismo.
Fonte: DENISE SANTANA, doutora em teologia, historiadora e jornalista, publicado em https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2025/08/7235193-movimento-dos-evangelicos-desigrejados.html#google_vignette
MEU COMENTÁRIO: Ao ler essa matéria no Correio Braziliense, me lembrei de um trecho do livro "O Mundo em Chamas", escrito por Billy Graham, em 1965, portanto há exatos 60 anos atrás, comentando sobre os evangélicos nos Estados Unidos, que muitos americanos estavam decepcionados com a igreja (instituição) e estavam deixando de ir a mesma e se reunindo em grupos nos lares, para estudo da Bíblia e oração.
quinta-feira, 21 de agosto de 2025
Quem é Silas Malafaia?
A primeira vez que li sobre o Pr. Silas Malafaia foi no ano de 1992, através do Jornal O Mensageiro da Paz, jornal oficial da AD, ligada a CGADB. Era uma matéria sobre os 10 anos do Programa Renascer na TV, programa de TV feito pelo Malafaia. Depois mais para frente ele mudou o nome do Programa para Vitória em Cristo. Naquele tempo, ele ainda era um pastor filiado a CGADB, auxiliando seu sogro na AD da Penha no Rio de Janeiro/RJ.
A partir do final de 1993, passei a acompanhar nas manhãs de sábado na extinta TV Manchete os programas do Pr. Caio Fábio que se chamava "Pare & Pense". O do Silas vinha logo após e algumas vezes eu assistia também. Com a saída do Caio Fábio da tv aberta a partir de 1999, vez ou outra via o programa daquele pastor de bigode, que as vezes tinha até uma palavra boa, mas sinceramente que nunca gostei do seu estilo de atacar tudo que vem pela frente. Para mim, parecia mais um "Programa do Ratinho" as vezes.
Nos anos 90, os nomes de pastores evangélicos que tinham programas na TV eram: Edir Macedo (IURD), Nilson Fanini (batista), Caio Fábio (presbiteriano na época), R.R. Soares (Internacional da Graça) e tinha também, Silas Malafaia, Robson Rodovalho, Valnice Millomens, entre outros.
Da igreja Assembléia de Deus, o primeiro pastor que teve programa na TV aqui no Brasil foi o missionário norte americano Bernard Johnson. Ele falava o português fluentemente, pois tanto seu pai como ele foram missionários no Brasil. O Silas chegou na TV, bem jovem em 1982, seu programa no entanto não era denominacional mas personalizado nele.
Os evangélicos na sua maioria eram meio desligados da política até 1982. A partir desse ano, começaram a se mobilizar para eleger representantes em Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas e no Congresso Nacional. Em 1986, deu um saldo, elegendo uma pequena bancada que fez parte da Constituinte que elaborou a Constituição de 1988.
Durante os anos de 1991 a 1998, o maior nome evangélico de influência junto aos meios de comunicação foi sem dúvida o então pastor presbiteriano Caio Fábio de Araújo Filho. O reverendo Caio Fábio, escrevia livros, alguns em estilo livreto, e vendia muito. Tinha programa na TV, e em 1995 lançou uma revista evangélica de nome Vinde e no ano seguinte um canal de TV a cabo, chamado VindeTV.
Não era presidente de nenhuma denominação, mas tinha uma instituição para-eclesiástica chamada VINDE que era através da qual ele geria seu ministério em várias frentes como: cruzadas evangelísticas, encontros de pastores, de jovens, seus livros, revista, programa de tv. Ele pregava no Brasil inteiro, em várias denominações e no exterior. Além dessa instituição ele juntamente com pastores de várias denominações criou a AEVB, uma associação de pastores, com a intenção de representar os evangélicos no Brasil. Caio foi seu primeiro presidente.
Também acabou entrando na área social, com destaque para a Fábrica de Esperança, localizada na favela de Acari no Rio de Janeiro, um grande programa social para crianças e jovens, que ganhou apoio governamental e apoio da mídia, como a própria TV Globo.
Tinha boa interlocução com alguns políticos como o ex-governador do Rio Nilo Peçanha, Brizola, Lula, Ciro Gomes, Benedita da Silva, Antonny Garotinho, Artur Virgílio, entre outros.
Dois fatos em 1998 tiraram Caio Fábio de cena: seu divórcio da primeira esposa e o Dossiê Cayman. Durante quase uma década, ele foi uma espécie de representante evangélico perante a imprensa no Brasil, fazendo um contraponto ao outro líder evangélico famoso, mas rejeitado pela imprensa e até por muitos líderes evangélicos: Edir Macedo.
Com a saída de cena do Caio Fábio ficou um vácuo de liderança representativa evangélica. Quem seria seu substituto? Caio além de falar bem, ser habilidoso para se relacionar com personalidades diversas sejam líderes de denominações evangélicas, bispos católicos, políticos, jornalistas, intelectuais, era também alguém que era conhecido como um bom pregador e um dos principais pensadores evangélicos de então.
Nos anos 2000, em diante foi aí que a figura do Pr. Silas Malafaia foi ganhando mais vulto para ir ocupando uma parte do espaço antes utilizado por Caio Fábio. Em algumas áreas ele ocupou o espaço ocupado por Caio, como nos programas de TV, cruzadas pelo Brasil, pessoa sempre convidada pelos canais de tv para falar sobre temas que os evangélicos estão envolvidos. Lançou vários livros no estilo livreto, igual o Caio Fábio e vendeu muito também. Apesar de não ser um pensador no estilo intelectual, influencia ao se posicionar de forma veemente sobre diversos temas como: aborto, homoafetividade, G12, teologia da prosperidade, etc
Nos anos 90, ele atacava o movimento G12, teologia da prosperidade, anos depois lá estava ele se alinhando com os líderes do G12, e ligados a teologia da prosperidade. Chegava a trazer em seus programas pastores norte-americanos como Mike Murdock, Morris Cerullo para pedir ofertas bem significativas na tv.
Já atacou e defendeu Edir Macedo, Marco Feliciano, Lula, Bolsonaro. Com relação a Caio Fábio, os dois são antagonistas um do outro. A lista pode ser grande. Em 1989, apoiou Brizola na eleição presidencial, em 2002 estava com Lula, em 2010 começou com Marina Silva e terminou com José Serra. Em 2014 com Aécio Neves. Em 2016, ficou com raiva de Bolsonaro e declarou apoio a João Dória, em 2018 já estava com Bolsonaro novamente.
A partir de 2010, dois fatos influenciaram a trajetória do Malafaia. Naquele ano, ele renuncia a 1ª Vice-Presidência (havia sido eleito no ano anterior) da maior convenção assembleiana - CGADB e já anuncia seu desligamento da convenção como ministro. No mesmo ano, seu sogro que era o Pastor Presidente da Assembléia de Deus na Penha no Rio de Janeiro, faleceu. Malafaia era o vice-presidente da igreja, assume a presidência, e muda o nome da igreja para ADVEC, praticamente tornando ela uma denominação independente.
O outro fato, foi algo que já vinha sendo costurado há algum tempo, sua aproximação com o então deputado federal Jair Bolsonaro, que se intensificou depois do ataque quem ambos fizeram em 2011 ao chamado "Kit Gay". Em 2013, Malafaia faz o casamento de Bolsonaro e Michelle, o casal já estava juntos desde 2007. Em 2018, ele foi um dos fortes cabo eleitoral de Bolsonaro nas eleições presidenciais daquele ano.
Durante a presidência de Jair Bolsonaro entre 2019 a 2022, Malafaia se torna uma espécie de "conselheiro espiritual/político" do então presidente. Sempre é visto, filmado e fotografado ao lado do Presidente, seja no Palácio do Planalto ou em eventos como manifestações públicas. Seu programa de tv e suas redes sociais mudam o tom, em vez de pregações e temas religiosos, agora seu foco são temas mais ligados a política, mas sempre dirigidos aos evangélicos e com o tempo passa a dirigir a todo povo brasileiro.
Ele passa também a atacar quem Bolsonaro ataca, e também opina e tenta influenciar o Presidente da República na nomeação de ministros de Estado e até ministros da Suprema Corte, o STF.
Ataca em suas redes sociais e programa de tv, a maioria de jornais e canais televisivos, com destaque para a Globo e Folha de São Paulo. Ataca também políticos como Lula, candidato e depois eleito Presidente da República em 2022 e ministros do Supremo Tribunal Federal, principalmente Alexandre de Moraes e Luis Roberto Barroso.
Sua formação é como psicólogo, mas passa a dar opinião e tentar influenciar sobre assuntos jurídicos, sem ter formação acadêmica para tal. Aliás não é bem opinião, são ataques.
No recente documentário feito para Netflix, "Apocalipse dos Trópicos", a produtora do filme, Petra Costa, deu grande destaque ao pastor, que deixou ela o filmar em sua casa, no no seu avião e até dentro do seu carro.
No documentário, Malafaia aparece nos movimentos pré-impeachment da ex-Presidente Dilma, depois fazendo campanha para Bolsonaro em 2018, e passada a eleição, o recebendo em sua igreja. Mostra Malafaia dizendo que se Bolsonaro não indicasse um ministro para o STF evangélico, haveria consequências. Depois ele é mostrada em sua bela casa, dentro do carro, brigando com alguém no trânsito e dizendo que seus seguranças vão dar um susto na pessoa. Mostra ele dentro do seu avião e também nas manifestações junto com Bolsonaro contra o STF.
Porém Malafaia, ao contrário do que o documentário tentar apresentar não tem essa representatividade toda em relação aos evangélicos. Ele não representa nem a denominação Assembléia de Deus, pois sua igreja - Assembleia de Deus Vitória em Cristo não está dentro de nenhuma das 3 convenções nacionais assembleianas: CGADB, CONAMAD e CADB.
Ele também não fala em nome de todos os evangélicos, porque esse é um seguimento da sociedade bem fragmentado, desde o início do protestantismo foi assim. Não existe um Papa evangélico. Não existe um Vaticano evangélico. Cada denominação fica dentro do seu quadrado.
Agora sim, existem temas que pode haver uma concordância com grande parte dos evangélicos, mas não todos, porque existem evangélicos mais conservadores e outros mais progressistas. Tem gente mais moderada e tem gente mais extremista.
Temos como aborto, homoafetividade, liberdade religiosa, evangelismo, podem unir muitos sob a mesma bandeira, mas não unanimidade.
Acontece que o Malafaia pode até ser um influencer hoje, e de fato, tem pessoas sejam elas evangélicas ou não que pensam como ele sobre vários temas ligados a política e costumes da sociedade. Mas ele está cada vez mais se tornando mais um líder político do que um pastor. Se amanhã ele for candidato a Presidente da República não será tanta surpresa assim.
OBSERVAÇÃO:
Se você ainda não é inscrito no meu canal do Youtube faça isso e acompanhe todos os meus vídeos: Se inscreva no canal: www.youtube.com/@PastorJuberDonizete


