O pastor Silas Malafaia respondeu com indignação às denúncias veiculadas pelo portal ICL Notícias, que revelou, por meio de reportagem assinada pelo jornalista Igor Mello, detalhes sobre a estrutura de poder e influência mantida pelo líder evangélico.
A investigação, intitulada “Império Malafaia”, ganhou destaque também em um episódio do podcast jornalístico da plataforma, sob o título “O Império Invisível de Silas Malafaia”.
Quatro dias após a divulgação do conteúdo, Malafaia se pronunciou em um vídeo publicado em seu canal do YouTube. Visivelmente exaltado, o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) desferiu duras críticas contra os jornalistas envolvidos na apuração e direcionou ofensas pessoais ao portal e aos profissionais responsáveis, além de prometer recorrer à Justiça contra os autores das denúncias.
A reação do pastor repercutiu de forma intensa, levando o Instituto Conhecimento Liberta (ICL) a emitir uma nota oficial nesta terça-feira (13).
No comunicado, a entidade defendeu sua equipe de jornalismo e condenou os ataques de Malafaia, classificando-os como tentativas de intimidação.
“Rechaçamos com firmeza os insultos dirigidos ao trabalho responsável de nossos profissionais, especialmente àqueles que diariamente se dedicam a informar a sociedade com ética, coragem e compromisso com a verdade”, afirmou o ICL.
O texto também denuncia que o pastor expôs ilegalmente dados pessoais do jornalista Igor Mello ao tornar pública uma conversa privada com o repórter para sua base de seguidores nas redes sociais.
O instituto ainda reforçou a credibilidade da apuração, afirmando que o material divulgado se apoia em documentos oficiais, fontes checadas e dados públicos. Segundo o ICL, trata-se de uma investigação que atende ao interesse coletivo e cumpre uma função essencial do jornalismo: fiscalizar o poder — seja ele político, econômico ou de natureza religiosa.
Sobre as ameaças de processos, o portal também escreve: “Quanto às ameaças de ação judicial, estamos absolutamente preparados para enfrentá-las nos foros competentes. Não nos intimidamos. Não recuaremos. O jornalismo do ICL não será calado por intimidações, porque é feito por profissionais destemidos, comprometidos com a verdade e com a defesa da democracia. Nosso Conselho Jurídico aguarda com serenidade.”.
O vídeo “Silas Malafaia responde às Calúnias e difamações dos Canalhas da Esquerda”, está disponível no canal do YouTube do pastor, onde já contabiliza quase 100 mil visualizações.
Fonte: https://www.fuxicogospel.com.br/2025/05/malafaia-rebate-denuncias-do-icl-noticias-com-ataques-e-ameacas-de-processo.html
ICL responde a declarações de Silas Malafaia
Após quatro dias da publicação da reportagem especial “Império Malafaia”, no site do ICL Notícias, e do primeiro episódio do podcast, o pastor Silas Malafaia gravou um vídeo para atacar o portal e o jornalista Igor Mello, autor da reportagem. O ICL reitera a publicação e a defesa da integridade e do trabalho de seus profissionais.
O pastor não apontou nenhum erro de informação a ser corrigido. Por isso, o ICL Notícias vai explicar três pontos da fala dele para tratar de alguns aspectos centrais da reportagem que se repetiram ao longo do vídeo do pastor. Eles tratam sobre o discurso da origem dele, renda, confusão patrimonial com a igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec) e as doações para a Associação Vitória em Cristo (Avec).
Família pobre
No, vídeo, Malafaia diz: “Eu não vim de família pobre”
No entanto, há diversos discursos nos quais ele fala sobre as dificuldades que enfrentou ao longo da vida até se tornar o pastor que é hoje. Em 20 de abril de 2013, por exemplo, ele disse durante um programa de TV produzido por ele que:
“Eu sei o que passei pra manter programa no ar. Vendi carro, só não vendi mulher e filho porque não podia. Andava de ônibus com programa de televisão no ar. Eu sei o que já passei! De ficar igual um maluco na Avenida Rio Branco, andando pra lá e pra cá, porque não tinha dinheiro pra pagar programa e com medo de sujar o nome da igreja.
Confusão patrimonial
Ao atacar o ICL Notícias, Malafaia disse que “Ele (repórter) diz várias vezes que eu sou dono da igreja e que há uma mistura e uma confusão entre o meu patrimônio e o patrimônio da igreja”. Na sequência, diz que vai processar o jornalista e o portal a provar isso.
Ocorre que Malafaia é o presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec) e como ele próprio mostrou, nos documentos que apresenta no vídeo, é ele quem assina contratos pela igreja, por exemplo. Inclusive quando estão envolvidas outras pessoas jurídicas que ele também controla.

Malafaia assina contrato simultaneamente pela Assembleia de Deus Vitória em Cristo e pela Editora Central Gospel (Reprodução)
Além disso, no próprio vídeo ele diz que o jato “custou U$1,4 milhão. Ele hoje vale uns 700 ou 800 mil dólares. É um avião de 1985, tem 40 anos, tá velho, dá muita manutenção e eu tô pedindo a Deus para me dar recurso para comprar um avião mais novo para eu andar pra lá e pra cá cumprindo os objetivos da associação, que é pregar o evangelho”. Como o próprio pastor disse, é ele quem vai decidir pela compra do avião.
No entanto, no mesmo vídeo o pastor se recusou a informar o valor do seu salário dizendo que não é obrigado a fazer isso. Em relação ao ano de 2018, conforme o documento do IR obtido pelo ICL Notícias, ele afirma que o valor de R$ 962 mil oriundos da igreja viria, em parte, de uma “oferta” –uma espécie de doação– colhida no aniversário dele.
No entanto, não há nenhuma distinção sobre isso na declaração do IR de Malafaia. O pastor também não apresentou nenhuma outra evidência que sustente essa afirmação.

Declaração de Imposto de Renda de Malafaia não faz distinção sobre ‘oferta de aniversário’ (Reprodução)
Além disso, em depoimento à PF, em dezembro de 2016, Malafaia afirmou que tinha uma renda mensal de R$ 100 mil. Nesse caso, ele não faz nenhuma distinção sobre qual parte dessa renda vinha de ofertas. Menciona apenas que é presidente da Advec, que todas as atividades são remuneradas, e que mantém outras atividades.

Em depoimento, Malafaia disse ter renda de R$ 100 mil e remuneração da igreja (Reprodução)
No vídeo, Malafaia mencionou a investigação da Receita Federal sobre as doações para a Associação Vitória em Cristo, criada para manter seu programa de TV. Ele disse: “Eu vou mostrar pra vocês de onde vem as contribuições da Associação Vitória em Cristo. Preste atenção! 85,98% das contribuições vem através de boleto bancário”.

Quadro reproduzido por Malafaia não desmente afirmação da Receita Federal (Reprodução)
No entanto, Malafaia se refere à quantidade de doações, enquanto a Receita Federal sempre trata do montante, do total do dinheiro recebido pela entidade. Por isso, esse quadro não responde ao questionamento da Receita Federal sobre quem são os doadores que deram mais de R$ 100 mil para a Avec e representam 60% do valor arrecadado pela entidade em 2010.

Receita afirmou que 60% do montante recebido pela Avec veio de doações acima de R$ 100 mil (Reprodução)
Vou deixar para em vez de comentar na postagem, deixar meu comentário aqui: O que se vê na reportagem do ICL, não foi difamação e calúnia, eles usaram para matéria, vídeos do próprio Malafaia, reportagens, documentos da Receita Federal. De uma certa forma, tem declarações do Malafaia seja feita em suas redes sociais ou em matérias a ele favoráveis como uma entrevista em duas partes feitas pelo jornalista Cabrine para o SBT em 2018, que praticamente confirma a reportagem do ICL. Agora acho que a matéria do ICL não trouxe nada de novo, todo mundo sabe que o Silas tem avião, anda com seguranças armados, é pastor presidente de uma grande denominação (A ADVEC), tem empresas. O problema é a confusão patrimonial, o que é da igreja, o que é de associação ou fundação, e o que é dele. No fim das contas, ele é o líder maior da igreja, responde pela associação ou fundação. Agora verdade seja dita, que se for investigar "impérios religiosos" no Brasil, a lista pode ser grande e muitos deles bem maiores que o que atribuído ao Malafaia.
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